09 de Junho de 2011

A comissão nacional do Partido Socialista reunida anteontem fez o esperado… Marcou para o final do mês de Julho as eleições para eleger o novo Secretário Geral.

 

Mais do mesmo, não se pensa que as pessoas estão de férias, que não há qualquer tempo para um candidato apresentar as suas ideias, apresentar um projecto concreto… Vamos eleger um sucessor por eleger.

 

Mais uma vez, vamos na onda, não é preciso programa, não são precisas ideias… isso fica para o congresso… o SG já estará eleito, depois os militantes votam na moção dele… e pronto! Está resolvido o assunto.

 

O Partido Socialista precisa urgentemente de mudar esta cultura, de se abrir, de ouvir os seus militantes, de os chamar a participar nas decisões e, sinceramente, não vejo em qualquer dos candidatos que se perfilam, e anunciaram a sua candidatura, vontade de o fazer.

Manter os mesmos, da muito menos trabalho…

 

Pode ser que me engane, ou que apareçam outros com vontade de o fazer. Tenho uma ideia muito concreta sobre quem poderia liderar o Partido e a Oposição neste momento.

 

Mas já, as máquinas se movimentam… Ainda não temos programas, ideias, linhas de acção e já se contam espingardas… recebi de um lado e de outro convites para me juntar a eles, seja em jantares ou reuniões para formar listas e dar apoio…

 

Não respondi a qualquer dos lados, quero votar em programas, em ideias!

 

O meu entendimento é outro, é o bem do Partido, porquê isso será o bem para Portugal!

 

Olho para o Eduardo Ferro Rodrigues como um homem capaz de ser o líder da oposição, cabeça de lista eleito pelo circulo de Lisboa, amplamente reconhecido, tanto dentro como fora do partido, em Portugal e no estrangeiro. Seria certamente um excelente secretário Geral e líder da oposição.

 

Para Presidente do Partido deveríamos eleger Manuel Alegre – tenho muitas dúvidas que aceitasse – mas poderia organizar e liderar por dentro, a abertura do partido. Criando condições para que nos preparemos para daqui a 4 anos nos apresentarmos ao eleitorado com  cara lavada e com um programa, uma forma de estar completamente novas, e que de certeza fariam com que o eleitorado olhasse para nós, novamente, como o Grande Partido da Esquerda Democrática. Como o Partido que soube entender os apelos, reformulando-se, adquirindo novas praticas, nunca esquecendo a sua Declaração de Princípios, como documento fundador e orientador.

 

Eu não queria ter falado em nomes tão cedo, mas a precipitação da CN do partido, a isso me obrigou. Preferia ter falado com mais pessoas antes de os pôr em cima da mesa. Sobretudo, obviamente, com os próprios.

 

Isso não foi possível.

 

Continuarei a insistir na tónica de mudar o paradigma!

 

um uivo de Pedro Tito de Morais às 15:25

06 de Junho de 2011

O Partido Socialista perdeu as eleições. Era obvio, era esperado, ouve-se na boca de toda a gente. A culpa foi do José Sócrates, dizem também… ainda bem que se demitiu…

 

Mas o grande problema é que a derrota não pode ser  só atribuída ao Secretário Geral, ele terá sem dúvida uma grande quota parte da culpa, foi ele que escolheu os ministros e secretários de estado, e demais dirigentes para o governo.

 

Não podemos esquecer, é que os dirigentes socialistas foram escolhidos em congresso, por delegados eleitos pelos militantes – certo que as listas foram apresentadas pelos candidatos a SG – limitando assim a escolha do militante de base.

 

A demissão de José Sócrates de Secretário geral na noite das eleições, atitude muito nobre que seja, não deixa espaço a uma reflexão profunda sobre os problemas que enfrentamos. O mais natural é eleger um novo secretário geral, saído da actual “classe” dirigente do Partido e que essa “classe” se eternize na direcção, não abrindo espaço a novas ideias e a novas soluções.

 

O Partido Socialista, precisa de Olhar para dentro e perceber o que está mal, precisa de olhar para fora e perceber o que o Pais aspira.

 

A estrutura orgânica do PS vai ter de reflectir a estrutura orgânica que defendemos para o Portugal, a representação nos órgãos directivos do partido têm de ser um espelho disso mesmo.

 

A forma de eleger a Comissão Nacional, tem de representar isso mesmo, o real peso do Partido em cada distrito. Os Deputados eleitos pelo PS em cada circulo eleitoral terão de ser escolhidos pelos militantes desse circulo. Os cabeças de lista não podem continuar a ser escolhidos no segredo dos gabinetes.

 

A vida dos nossos dirigentes têm de ser transparente, pública. Não podemos estar sujeitos à maledicência e à mentira, tendo de responder a cada momento e de formas nem sempre claras – pois o momento politico não o permite – Os dirigentes do Partido devem assumir que ao assumir esses cargos, a sua vida passa a ser pública e transparente, sendo eles os primeiros a disponibilizar toda a informação.

 

A promiscuidade entre política, negócios e futebol, entre outros, tem de acabar. No PS ou se está numa coisa ou se está na outra.

 

Muitas outras coisas há para discutir e muitas propostas vão aparecer em cima da mesa, a seu tempo eu próprio apresentarei algumas.

 

Uma coisa é certa, se ficarmos assim… vamos perder toda a credibilidade.

um uivo de Pedro Tito de Morais às 20:26

03 de Novembro de 2009

No rescaldo das eleições autárquicas no distrito do Porto, alguns factos de actuação política deveriam merecer uma especial reflexão dos militantes socialistas: Processos disciplinares visando a expulsão de vários camaradas que, como independentes, se candidataram aos órgãos autárquicos em Matosinhos, Valongo, Stº Ildefonso (freguesia do Porto), etc.

 

Espera-se que a justificação estatutária destes processos não deixe margem para dúvidas, nomeadamente no direito à defesa dos "arguidos" e nas explicações, nunca antes conhecidas, sobre as deliberações (datas, procedimentos legais, votações) que conduziram à formação das listas oficiais. Espera-se também que sejam esclarecidas as razões que impediram a apresentação de listas únicas do PS. Caso contrário, tudo será visto como um processo de depuração ideológica e política, impensável num partido que fez da democracia interna a sua grande diferença em relação à restante esquerda. Será bom não esquecer que, perante a candidatura independente de Manuel Alegre à presidência da República, também houve claras tentativas de altos responsáveis partidários no sentido da sua expulsão por delito de opinião e desrespeito estatutário. Todo o articulado estatutário deve ser respeitado, e não apenas aquele artigo que "agora dá jeito" para punir os “infractores”. Quem votou nas listas dos “infractores” socialistas? Obviamente, muitos militantes socialistas! E estes, que votaram, também vão ser alvo de alguma medida estatutária? Que pena…! Não se pode!

um uivo de Jorge Martins às 11:28

23 de Outubro de 2009

As eleições autárquicas no Porto (cidade) não constituiram grande surpresa para quem as viveu por dentro, do lado da candidatura de Elisa Ferreira.

 

A análise fria dos números mostra as razões daquilo que já se pressentia muito antes da campanha começar: a renovação da maioria absoluta da coligação de direita numa cidade que, duas semanas antes, tinha votado esmagadoramente à esquerda (53,8% para o conjunto PS+CDU+BE, contra 41,6% para o conjunto PSD+CDS).

 

E não houve surpresa porque prevaleceu, na esquerda em geral e no PS, em particular, a pequena política, a intriga, a inveja e a falta de visão estratégica. Na esquerda, porque PCP e BE, numa defesa autista de interesses sectários, se preocuparam quase exclusivamente em atacar a candidata do PS e as suas circunstâncias pessoais. No PS, porque os seus principais responsáveis concelhios e de freguesia foram autores dos piores ataques à candidata e à candidatura. Com tais "apoios", a candidatura não precisava de adversários políticos.

 

A derrota da esquerda e, especialmente, a derrota do PS representaram o adiar de uma cidade melhor, mais justa e mais solidária. Este adiar da esperança por mais quatro anos tem responsáveis políticos (nos três partidos da esquerda)  que os portuenses conhecem e saberão castigar no tempo e lugar próprios.

um uivo de Jorge Martins às 10:08

28 de Setembro de 2009

Contados os votos, constatamos que:

 

1. A esquerda tem muito mais votos (54,3%) que a direita (39,6%) e, no interior da esquerda, o PS (36,6%) tem mais do dobro da soma dos votos do BE e da CDU (17,4%);

2. O PS ganhou inequivocamente estas eleições mas perdeu muitos votos para a esquerda (quase exclusivamente para o BE e, pouco, para a CDU) mas também perdeu para a direita (sobretudo para o PSD, e alguns poucos para o CDS);

3. Do meio milhão de votos perdidos pelo PS, a larguíssima maioria resultou da transferência directa de votos para o BE.

 

Contados os votos, concluímos que:

 

1. A dinâmica de vitória conseguida pela direita com as europeias foi, por agora, sustida com clareza o que pode levar, no curto prazo, a uma recomposição da sua representação partidária ou, pelo menos, à alteração da correlação de forças dentro de cada um dos seus partidos. Se, do ponto de vista social, as teses da direita dura de Paulo Portas vão "fazer mossa" no interior do PSD, por outro lado, do ponto de vista do capitalismo neoliberal e da gestão da sua crise, os apoiantes de Passos Coelho vão exigir a aplicação imediata da agenda de Belmiro de Azevedo e do Compromisso Portugal.

 

2. O PS vai governar "sózinho". Para já, não tem outro remédio que não seja negociar os apoios parlamentares necessários para fazer passar o programa de governo. Com quem?

Nesta fase, provavelmente com o PSD, assegurando a sua abstenção relativamente a uma moção de rejeição apresentada pelo CDS, pelo BE ou pela CDU. Em alternativa, dependendo da composição do governo, dos "independentes" que o integrarem e da nova leitura que faça do seu programa eleitoral, poderá negociar a abstenção de um dos partidos à sua esquerda (CDU ou BE) e o apoio parlamentar do outro (BE ou CDU) para derrotar uma moção que seja apresentada pela PSD e CDS. A opção por uma destas alternativas significará a opção por um determinado modelo de combate à crise social e económica (desemprego e falências, sobretudo) e por um determinado papel do Estado nesse combate.

 

Contados os votos, o que importa fazer?

 

Impedir a primeira solução e dar força a esta segunda opção, ou seja, conseguir suster a segunda investida da direita na nova A.R. (que pode ser demolidoramente vitoriosa se a esquerda não se entender nalgumas questões de fundo). Como fazê-lo: reforçando com grande "energia" e visibilidade a própria esquerda no interior do PS. Reforçando a intervenção pública (interna e externa) da Corrente de Opinião Socialista, exigindo um governo e um programa politicamente adequados ao combate à crise social,   que faça uma leitura das promessas eleitorais comprometida  com os mais fracos e mais pobres, que se comprometa  e actue no sentido  da defesa dos direitos elementares dos trabalhadores, desde logo o direito ao trabalho, à saúde, à educação, à segurança social (num próximo post abordarei ainda esta questão das opções possíveis e desejáveis) 


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