02 de Outubro de 2010
Manuel Alegre – Logo 2011
Já estão em linha todos os endereços oficiais de rede por onde passarão as acções da campanha eleitoral de Manuel Alegre. A sua divulgação por blogs simpatizantes será sempre bem-vinda, assim como a divulgação dos logótipos de campanha.

Site de campanha: http://manuelalegre2011.pt/

Facebook: http://www.facebook.com/manuelalegre2011

Twitter: http://twitter.com/alegre2011

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A eleição de Manuel Alegre para Presidente da República não é um facto consumado. Ela dependerá dos votos que entrarem em urna e cada um de nós tem o seu papel a desempenhar para que eles sejam em maioria.

Vamos eleger o nosso Presidente.

um uivo de Luis Novaes Tito às 22:59

08 de Abril de 2010
Manuel Alegre

 

 

"O miúdo que pedalava num carro de quatro rodas poderia dizer, como eu próprio já disse: Isto é o que sei de literatura.

 

Mas ainda falta acrescentar que o miúdo que tocava piano sobre a mesa viu Miguel Torga no hospital segurando o caderno e a caneta como quem, no campo de batalha, ferido de morte, não larga as armas. Eram já poucas as forças, mas a mão mantinha-se firme na caneta e no caderno. Não queria ser apanhado desprevenido (ou desarmado) se uma vez mais lhe aparecesse aquele primeiro verso, que sempre nos é dado, como costumava dizer. Estava preparado, porque nunca se sabe, como se diz na Bíblia, quando vem o sopro e de que lado sopra. A terra respira de muitas formas. Pela boca do vulcão Santiago, pela flauta de Camilo Pessanha, pela grafia do poeta que escrevia pela noite dentro, pelas primeiras e pelas últimas palavras de Sophia e, sobretudo, pela sua entoação de um ritmo já só ritmo. E pelo pulso de Miguel Torga, por aquela mão antiga a segurar o caderno e a empunhar a caneta até ao fim."

 

Um poema feito prosa pela mão de um poeta presidente, coisa que não pode deixar um País indiferente.
um uivo de Luis Novaes Tito às 01:27

04 de Abril de 2010

 

 

"O Miúdo que Pregava Pregos numa Tábua," o novo livro de Manuel Alegre, é o tema de capa da revista Ler de Abril. Na revista Ípsilon, Isabel Coutinho conclui no final da entrevista a Manuel Alegre, "Mesmo depois de crescido, o miúdo que pregava pregos numa tábua está convencido de que a poesia é um processo mágico." Também na revista NS, o Míudo é tema central de uma entrevista, onde Alegre afirma uma certeza em tom de desafio: "Sou, dos candidatos às presidenciais, o único que entrou em combate."

 

 

 

 

 

O lançamento do livro realiza-se na 4ª feira, dia 7 de Abril, pelas 19.30. A sessão terá lugar no Palácio das Galveias, ao Campo Pequeno, em Lisboa, e conta com uma intervenção da Professora Doutora Paula Morão.

 

Os Cães como tu, e como nós, vão la estar.

 

um uivo de Nuno David às 21:59

09 de Março de 2010
 
 
   

 

Ver mais aqui.

um uivo de Cães como tu às 03:17

23 de Fevereiro de 2010

Manuel AlegreCoimbra será sempre para mim a cidade dos sonhos. A cidade de uma geração que sonhou libertar e mudar Portugal. Não apenas pela intervenção política. Mas também pela intervenção cultural, pelo teatro, pela poesia, pela música.

 

A geração que fundou o CITAC e deu projecção nacional e internacional ao TEUC. A geração da guitarra de António Portugal, da viola de Rui Pato, das baladas de José Afonso e das trovas de Adriano Correia de Oliveira. A geração de onde sairia António Arnaut para mais tarde fundar o Serviço Nacional de Saúde.

 

Para mim Coimbra, é também a lição de três referências fundamentais: Paulo Quintela e a lição da língua portuguesa; Fernando Valle e a lição da fraternidade e da tolerância; Miguel Torga e a lição da liberdade e da portugalidade.

 

E por isso eu lembro hoje essa Coimbra, não com saudades do passado, mas com saudades do futuro que todos então sonhámos. E é em nome desse sonho que venho dizer-vos, sem ambiguidades, que não serei candidato a qualquer preço.

 

Não serei candidato para renegar os meus valores, a minha vida e as minhas convicções. Quem quiser apoiar-me terá de apoiar-me tal como sou.

 

Sou um republicano para quem a ética republicana não se funda apenas na lei, mas na consciência e no comportamento.

 

Sou um socialista para quem o socialismo, antes de ser uma ideologia e um projecto de poder, é uma ética e um humanismo.

 

Sou um democrata para quem a democracia deve ser uma vivência transparente e não um jogo obscuro de poder pelo poder.

 

Sou um patriota para quem Portugal não é um sítio, mas uma história, uma língua, uma cultura, uma identidade.

 

Não me candidato para promover a queda de governos, nem para governar por interposta pessoa, mas para inspirar o cumprimento do projecto que está inscrito na Constituição : democracia política, democracia económica, democracia social.

 

Mas também uma cidadania moderna alargada à multiplicidade de identidades, à inclusão, ao reconhecimento da participação política aos não nacionais, à não discriminação das pessoas com incapacidades, à protecção das pessoas em situação de dependência, aos novos direitos surgidos dos avanços científicos e tecnológicos, aos novos direitos emergentes, como o direito à segurança vital (água potável, energia, alimentação), bem como o direito à protecção do ambiente, à diversidade de orientação sexual e ao desenvolvimento pessoal.

 

Portugal está a viver um clima de suspeição, insinuação e crispação que contamina a saúde da República.

 

Há que repor rapidamente a normalidade democrática, a cooperação institucional, o primado do interesse nacional sobre o excesso de tacticismo, de cálculo e de intriga política.

 

A estabilidade é hoje um factor estratégico para o país enfrentar a grave crise económica e financeira. Tal só é possível restabelecendo a confiança, a serenidade, a transparência e a ética pública como fundamento da Democracia.

 

Os portugueses querem um país justo e limpo, um país decente, onde as instituições funcionem, o governo governe, a Assembleia legisle e fiscalize e o Presidente da República zele pelo cumprimento da Constituição e dos princípios fundamentais do Estado de Direito.

 

Passados menos de quatro meses sobre a realização de eleições, os portugueses não compreendem que se esteja a viver uma crise política, que é sobretudo de credibilidade e confiança, em vez de se procurar resolver as dificuldades que enfrentam no dia a dia: o desemprego, as falências, a precariedade, a falta de meios para pagar a casa, a escola e a alimentação dos filhos.

 

Há cerca de três dias, num programa de Televisão sobre as dificuldades dos precários, um dos entrevistados definiu a sua geração da seguinte maneira: “Geração nem nem, nem trabalho, nem futuro”.

 

Fiquei profundamente chocado e revoltado. Porque não foi este o Portugal que nós sonhámos. Não foi por um Portugal assim que nós lutámos.

 

É preciso mudar. Mudar o sentido da política. Mudar o conteúdo da Democracia, para criar em Portugal, como defendia o grande António Sérgio, as condições concretas da liberdade.

 

Porque não é possível um país onde os jovens sentem que não têm lugar.

 

Não é possível um país onde os jovens dizem, como outro dos entrevistados disse, que são a geração perdida.

 

E por isso, como costumava dizer Miguel Torga, “é preciso ser contra isto para ser por isto”.

 

É esse o sentido da minha candidatura: o país, as pessoas, o bem comum.

 

Nunca confundi política com negócios, nem nunca pus projectos pessoais ou de partido acima dos superiores interesses do país e da democracia.

 

Nunca sacrifiquei os valores essenciais que sempre pautaram a minha conduta: o sentido da honra, da integridade e do serviço desinteressado à causa pública.

 

Lembro-me bem de como era viver sem democracia, sem imprensa livre nem tribunais independentes, sem oposição e com a economia reduzida a meia dúzia de grupos económicos enfeudados a um só homem.

 

Só quem não viveu esses tempos - ou não sabe o que foram esses tempos – pode afirmar que hoje não há liberdade de expressão em Portugal. Há liberdade, felizmente há liberdade.

 

É uma conquista que deve ser protegida, consolidada e acarinhada, com abertura, tolerância, respeito pela diferença e intransigência perante qualquer tentativa de abuso, condicionamento ou controlo da comunicação social.

 

Trata-se de um princípio que deve estar inscrito no código moral de qualquer democrata e sobretudo de todos os socialistas, dado o capital único do PS na defesa da liberdade e na construção da democracia em Portugal.

 

Mas a liberdade de informar não pode ser sinónimo de devassa. A lealdade de qualquer jornalista que se preze deve ser para com a verdade dos factos. É uma função essencial ao normal funcionamento da democracia. Os limites são conhecidos, estão definidos na lei e devem ser respeitados por todos.

 

Há princípios constitucionais que consubstanciam o espírito do 25 de Abril e constituem os pilares do Estado de Direito: subordinação do poder económico ao poder político democrático; autonomia e independência da comunicação social; separação do poder político, do poder legislativo e do poder judicial.

 

Sempre me opus e oporei às promiscuidades que resultam da subversão destes princípios.

 

Qualquer uma dessas promiscuidades contamina a saúde da República.

 

É o caso, por exemplo, da promiscuidade entre a justiça, a política e a comunicação social.

 

Quando a Justiça não funciona cai-se no justicialismo. E o justicialismo substitui os tribunais pela praça pública. Sempre que tal acontece é a própria justiça que está em causa. E com ela o Estado de Direito.

 

Não há segredo de justiça quando a justiça não funciona. Ou quando alguns dos agentes fundamentais do sistema judicial se convencem de que a justiça não funciona e decidem passar, eles próprios, à acção, arvorados em justiceiros.

 

Essa é outra perigosa tentação. Sabe-se como começa, não se sabe onde acaba.

 

Ninguém está acima da lei. E ninguém está acima da crítica. Nem governo, nem parlamento, nem Presidente, nem justiça, nem comunicação social. Cada um deve cumprir a sua função numa lógica de serviço público, não numa lógica conspirativa ou justicialista.

 

Portugal enfrenta uma crise que não é apenas orçamental, é económica e social, com causas externas e causas nacionais. Umas frases infelizes de Joaquim Almunia e as notações negativas das agências de rating fizeram com que Portugal possa perder centenas de milhões de euros só de juros a mais. Sublinhe-se que estas agências, que já se enganaram na crise de 2007, não estão abrangidas por nenhum regime de responsabilidade jurídica. Podem sujeitar um país a sacrifícios incalculáveis. E nada lhes acontece. Já não se trata de economia de mercado. Trata-se pura e simplesmente de ditadura do mercado. Parece, aliás, que nada se aprendeu com a crise que está longe de ter sido ultrapassada. Toda a gente sabe que a crise foi provocada pela especulação de um sistema financeiro não controlado. Mas um cidadão desprevenido que oiça agora certos economistas e analistas fica com a sensação de que a culpa é sua. A culpa é sua e de outros cidadãos que reclamaram aumentos de salários, saúde pública, enfim, privilégios impossíveis de assimilar por um sistema que teria funcionado bem se não fosse a loucura dos cidadãos que reclamam os seus direitos.

 

Eles aí estão outra vez, os mesmos tecnocratas do sistema. Com as mesmas receitas e a mesma arrogância de sempre.

 

Criticaram-me por eu ter dito que era preciso outra economia. E até me acusaram de não saber de economia. Mas a economia que nos conduziu ao desemprego, às desigualdades e à precariedade não é a economia que precisamos de saber.

 

A economia que fecha todos os dias fábricas e empresas, que estimula o consumismo desenfreado e que provoca cada dia novos sobre-endividados não é a economia que precisamos de saber. Já estamos cansados desta economia em que os lucros são sempre privados e as perdas são sempre socializadas.

 

A economia que precisamos de saber é outra. É a economia que permite a uma família de desempregados sobreviver com dignidade. É a economia de quem partilha e é capaz de multiplicar valor sem exploração e sem subsidiodependência. É a economia de quem sabe criar emprego, inovar e valorizar as suas empresas e os seus trabalhadores. Precisamos de outra economia.

 

Outra economia que é talvez a que levou um homem que foi operário e é hoje presidente do Brasil, a acreditar e conseguir o que outros não conseguiram: fazer com que os seus compatriotas vivam melhor. Também Lula da Silva foi acusado de não saber de economia. Mas afinal parece que ele é que sabia. Sabia de outra economia.

 

Uma economia voltada para as pessoas. É essa que nos interessa. É essa de que precisamos.

 

Em democracia só é possível liderar pelo exemplo. A nossa República padece de um excesso de tacticismos. Não é um bom exemplo, nem uma forma sã de liderança.

 

Há cargos que são um encargo e um risco. Não podem ser um refúgio de silêncios pendentes, nem de cálculo pessoal.

 

Vivemos um momento difícil, que deve ser enfrentado com palavras claras e uma atitude inspiradora, em vez de manobras de bastidores que apenas agravam a crise instalada. Por vezes interrogo-me se uma certa forma de distanciamento tem com objectivo ajudar a ultrapassar a crise ou capitalizar com ela. Em democracia há sempre soluções para as crises, desde que exista vontade de as vencer. Cabe aos órgãos de soberania e aos partidos políticos promover a necessária clarificação.

 

Como disse um clássico (Tocqueville) “ As sociedades políticas não são as leis feitas, mas as ideias, as crenças e os sentimentos dos homens que as lideram”.

 

É nesse sentido que eu penso que a próxima eleição presidencial se reveste de capital importância. É através dela que se pode operar no país uma mudança. Pelas ideias, pelo exemplo, pelo projecto. O resultado da próxima eleição presidencial pode traduzir-se num avanço ou numa regressão.

 

Não só para o PS, não só para a esquerda, mas para todos aqueles que defendem uma cidadania mais avançada, mais aberta, mais justa e mais exigente.

 

Sei bem o que é preciso para ganhar. É um combate difícil. Mas a vitória é possível.

 

Não com base na desunião ou numa falsa unidade de propósitos.

 

Não se confundirmos questões pessoais com questões políticas.

 

Não se houver quem esteja mais empenhado em patrocinar candidatos contra a minha candidatura do que em derrotar o candidato da direita. O ressentimento nunca foi um motor para a vitória.

 

É tempo de saber quem quer unir e quem quer dividir.

 

É tempo de saber quem quer ganhar e quem quer apenas ajustar contas e atrapalhar.

 

Nós não nos enganamos de combate.

 

Nós não nos enganamos de adversário.

 

Nós não estamos aqui por azedume nem por interesse pessoal.

 

Estamos aqui por ideal democrático, estamos aqui pela esquerda dos valores, estamos aqui por fidelidade ao combate de toda a vida.

 

A todos nós exige-se bom senso, espírito construtivo e um grande sentido da responsabilidade.

 

Para superarmos as nossas diferenças em nome do que é essencial.

 

Para construirmos a unidade que é o primeiro passo para a vitória.

 

Eu acredito que é possível e é por isso que estou aqui. Tal como sou, com uma independência que não tem preço e com princípios que não são negociáveis.

 

Como um homem livre apoiado por homens e mulheres livres, determinado a lutar e a vencer, com todos vós, por uma nova esperança para a República e para Portugal.

 

19 de Fevereiro de 2010

Manuel Alegre

um uivo de Luis Novaes Tito às 01:49

22 de Fevereiro de 2010

Como apoiante de Manuel Alegre, e deveria acrescentar como otimista, estou duplamente satisfeito por o PS ainda não manifestado o seu apoio e por Fernando Nobre ter anunciado ser candidato à Presidência da República.

 

A atual indecisão do PS é muito positiva para Manuel Alegre. A candidatura de Alegre quer-se suprapartidária. Com os apoios já manifestados, só o anúncio do apoio formal do PS poderia fazer pairar alguma sombra sobre o desígnio do suprapartidarismo. Entretanto é natural que muitos daqueles que, manifestando algumas reservas à candidatura de Alegre, mas que admitem apoiá-lo não sendo a sua candidatura partidária, ou muitos dos crónicos indecisos, se aproximem do candidato. Possibilidade que, convenhamos, seria tanto mais difícil quanto o PS manifestasse formalmente um apoio extemporâneo. Com o passar do tempo e com o aparecimento de candidaturas de que o PS quererá, desde cedo, demarcar-se (o que não pode fazer com  a candidatura de Manuel Alegre), restará pouca margem ao PS para não declarar formalmente o seu apoio. Pelo caminho, muitos militantes do PS se irão juntando a Alegre (como se viu no jantar de 19 de Fevereiro, em Coimbra, e como já se tinha visto nas últimas eleições presidenciais). Outros, fiéis à posição oficial do partido, só no momento exato se mostrarão. E mesmo aqueles que, sendo do PS, tenham algo que não perdoam a Alegre ficarão sem outra escolha que não seja, apoiar Alegre ou, de algum modo, abster-se, apoiando, dessa forma, Cavaco ou o candidato da direita. Pelo caminho que nos levará até às eleições gostaria também que o meu otimismo me fizesse acreditar que o PCP vai ser capaz de se juntar a uma candidatura de esquerda. Mas, com o PCP, o meu otimismo tem limites.

 

Ao contrário de muitas opiniões dou uma importância relativa à candidatura de Fernando Nobre. Em rigor, sem o apoio do qualquer partido com assento parlamentar, Fernando Nobre parte de um limiar de expetativa de votos abaixo do que Soares alcançou nas últimas eleições. Desejo que Fernando Nobre leve a sua candidatura até ao fim por duas razões essenciais. Em teoria, aumentará a taxa de participação nas eleições e isso reforça a perspetiva de uma segunda volta. Por outro lado, considero que os próximos tempos mostrarão que fernando Nobre, com a rede de contatos que estabeleceu enquanto Presidente da AMI, é capaz de captar mais votos na área do centro direita que na área do centro esquerda, o que, em teoria, levará a que tire mais votos a Cavaco que a Alegre.

 

 


19 de Fevereiro de 2010

Realiza-se hoje um jantar em Coimbra de apoio a Manuel Alegre, a decorrer às 20h00 no hotel D. Inês. Com mais de 500 inscrições, a lotação está esgotada já há muito. Segundo a organização, continuam a chegar a todo o momento novos pedidos de participação.

 

Como todos sabemos, vivemos hoje tempos difíceis, afectados por uma crise económica e financeira grave. Situação agravada – no caso particular de Portugal – por uma crise de confiança dos cidadãos nas instituições democráticas, nos partidos políticos e na própria capacidade de liderança de muitos dos nossos líderes. Com efeito, não é por acaso que, com quase um ano de antecedência, a eleição para a Presidência da República em 2011 se apresenta, no actual contexto político, com uma importância crucial para a evolução sustentada do nosso sistema democrático. Em boa parte, os cidadãos depositam uma grande dose de expectativas e esperança nesta eleição.

 

A mobilização atingida neste jantar, a um ano das eleições, é um forte sinal da adesão das pessoas à candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República. Importa sublinhar a importância deste evento, aguardando-se com expectativa o discurso de Manuel Alegre. Nas palavras dos organizadores deste mega-encontro de apoiantes em Coimbra, “Não é só a ligação afectiva de Coimbra que se põe á mostra na presença a este jantar. É muito mais do que isso! Trata-se da manifestação de um voto de confiança e de esperança em quem assegura a defesa dos valores da Honra, da Ética, da Firmeza de Carácter e do traço de união entre os portugueses -- o sentido nobre da Portugalidade.”

um uivo de Nuno David às 04:35

07 de Fevereiro de 2010

A candidatura presidencial de Manuel Alegre (MA) continua a suscitar controvérsia. Há os que o apoiam, os que o rejeitam, e agora, perante o facto consumado, surgem também os apoiantes "condicionais". O dr. Vital Moreira (VM) é um destes casos. Na sua crónica no PÚBLICO (26/01/2010) afirma que o PS não se pode "render sem condições" a Manuel Alegre, e que só mediante "um compromisso" tal candidatura pode obter "convictamente" o apoio dos socialistas. Na verdade o que VM pretende é que o PS "controle" MA, ou seja, se não se consegue impedi-lo, então que se lhe imponham condições.

 

Do alto da sua sapiência, enumera todo um rol de desvios "esquerdistas" e de "ingratidões" de MA ao seu partido. Alguém que nem é militante (ao que se sabe), no seu excesso de zelo, lança diversos anátemas a Alegre, um histórico do PS que ajudou a formatar a matriz social-democrata do partido.

 

O rol de atributos apontados a MA no citado texto é bem ilustrativo da reserva mental do deputado europeu. Acusações como a "separação política e ideológica" do PS e a "afinidade electiva com a esquerda radical" só podem vir de quem ignora a cultura pluralista do PS e não é capaz de admitir nenhum dos erros do anterior Governo de Sócrates. As aproximações de MA ao Bloco foram pontuais e justificadas. O "óbvio gaullismo"/tentações nacionalistas de MA e sua "hostilidade" à integração europeia não passam de afirmações gratuitas. MA afirmou repetidamente a sua crítica à tecnocracia e ao excessivo peso da economia financeira, a submissão à cartilha da OMC, mas também a defesa de uma Europa solidária, com instituições mais abertas aos cidadãos, uma democracia mais ampla e intensa, o que, perante a crise que hoje enfrentamos, se prova que foram críticas certeiras.

Se a aura de "esquerda" de Alegre brilhou mais na última legislatura, foi porque as políticas governativas do PS se pautaram por uma deriva de direita em diversos domínios, que MA teve a coragem de criticar. Foi justamente com essa postura de autonomia que consolidou o seu espaço de figura presidenciável. É verdade que o BE tenta aproveitar-se da situação na sua disputa com o PS. Compreende-se a necessidade disso. Mas a confusão é fictícia e deliberadamente fabricada, inclusive por alguma comunicação social.

 

Se, por acaso, MA aceitasse, respeitosa e disciplinadamente, as "directrizes" vindas do Largo do Rato, como pretende VM, seria não o MA que conhecemos, mas uma caricatura de si mesmo, que os portugueses rejeitariam. Alegre é quem é, e não pode vestir a pele de um socrático, para satisfazer o dr. VM ou outros que alinham no mesmo coro.

 

Como candidato vencedor que pretende ser, MA sabe com certeza que a sua candidatura tem de ser abrangente e terá de conquistar segmentos não só da esquerda, mas do centro e até da direita. Para tanto, só tem de mostrar o seu enquadramento na matriz ideológica do socialismo democrático, o seu apelo à cidadania activa e a sua consciência social dos problemas que assolam o país, a Europa e o mundo.

 

Publicado no jornal PÚBLICO de 07/02/2010 e em simultâneo no blogue Boa Sociedade


31 de Janeiro de 2010

A propósito do apoio do BE à candidatura de Manuel Alegre, saiu nos últimos dias uma noticia do semanário SOL com declarações minhas em que se referia haver uma estratégia do Bloco e um "aproveitamento" em relação a esta candidatura que “não é positivo”, servindo os argumentos dos seus inimigos. Na mesma entrevista disse o mesmo em relação a qualquer atitude idêntica de outro partido. Mas isso não saiu no jornal.

Embora filiado no PS, tenho muitos amigos da área do bloco e estou seguro que ao longo da candidatura presidencial de MA iremos sem dúvida consolidar muitas das cumplicidades e posicionamentos políticos de grande proximidade que já partilhamos em muitas matérias.

Aquela referência a uma certa “colagem” do BE, que no actual momento me parece ser negativa do ponto de vista da candidatura, é, portanto, simétrica da opinião que tenho em relação a qualquer outra (hipotética) tentativa semelhante, inclusive por parte do PS, apesar de ser o partido do candidato e de muito do desfecho da candidatura de Alegre, estar ainda dependente da posição a tomar pelos socialistas.

Há cinco anos atrás a candidatura de Francisco Louçã à presidência também não foi completamente pacífica dentro do Bloco. E até alguma condescendência com a candidatura de Mário Soares, por contraposição com alguns “ataques” à então candidatura independente de Alegre, geraram alguma polémica. Seja como for, as coisas mudaram bastante ao longo da última legislatura.

Ao longo dos últimos 4 anos, MA esteve ao lado de Louçã em alguns momentos marcantes, pelo que a sua imagem foi projectada para uma aproximação ao Bloco. Continuo a pensar que essas situações foram plenamente justificadas, além do mais pelas medidas e políticas incorrectas adoptadas pelo governo PS (designadamente em áreas como a educação a saúde e o trabalho). A luta dos professores foi um exemplo marcante da incapacidade de diálogo do anterior governo, de um erro que até o novo governo já reconheceu, na prática, ao mudar a ministra e voltar atrás nas principais medidas nessa área.

Voltando ao Bloco. A questão é que, desta vez, quando já se criou uma ideia generalizada de que o BE apoia a candidatura de Alegre, as pessoas olham para MA e pensam no passado recente, na luta dos professores, na demissão do ex-ministro da saúde Correia de Campos, nas disputas parlamentares e negociações falhadas do Código do Trabalho, e em todas essas situações o (até agora único) candidato da esquerda esteve do lado dos críticos e em oposição ao governo do seu partido.

Do lado do PS, como também é sabido, tais orientações foram tomadas (nos procedimentos e nos objectivos) ao arrepio de promessas eleitorais e daquilo que é a tradição do socialismo democrático que suporta a matriz ideológica do partido. Portanto, não foi Manuel Alegre que se afastou da social-democracia, foi antes a direcção do PS que enveredou por opções neoliberais que a afastaram das suas referências históricas.

Essas posições, de certa forma, “colaram” a imagem de MA ao Bloco de Esquerda. Por essas razões, as pessoas (sobretudo as que se colocam à esquerda do PS, ou as que pertencem à ala esquerda desse partido) sabem bem que Alegre foi critico do anterior governo Sócrates. Mas, por outro lado, as que votaram PS e/ou são militantes “não alegristas” do PS olham com desconfiança para essas “aproximações” de MA ao BE (ex. Teatro da Trindade, Encontro das Esquerdas, etc). Acham que o Bloco está demasiado sintonizado com o candidato. E muitos esperam para ver a posição do PS em relação ao assunto e também as posições do candidato em relação a diversas matérias e problemas com que o país se confronta. Há ainda muitas dúvidas e zonas cinzentas sobre as presidenciais. Mas num ponto está tudo claro: qualquer outra hipotética candidatura na área da esquerda seria desastrosa, quer para o PS, quer para o futuro da esquerda.

Importa ter em consideração este enquadramento para se fazer uma leitura correcta do actual momento. Embora eu compreenda a necessidade do BE ter logo vindo a público, pela voz de Louçã, manifestar o seu apoio "oficial" a Alegre, antes mesmo de este ser candidato “oficial” (talvez para apaziguar resistências internas), acho que o gesto foi precipitado. A meu ver, faria mais sentido esperar algum tempo. Com isso, a imagem que passou para o Público foi a de uma estratégia bloquista obcecada em tirar vantagem ao PS. Independentemente das intenções, isso evidencia uma "colagem" à candidatura de Alegre. Uma colagem excessiva. Se não foi intencional, pareceu. E como se sabe o que parece também conta, e muito.

Perante isto, eu acho que, apesar de toda a manipulação – dos mass media – que está por detrás, e até por isso mesmo, objectivamente, tal situação ajuda a dar argumentos àqueles que, dentro do PS não desejam o apoio do partido a Alegre, e aos que dentro do PSD e da direita em geral alimentam diariamente essa ficção de que MA é o candidato da esquerda radical (ou seja, do BE).

Nestas condições, enquanto não existir uma posição oficial do PS no apoio a MA, cada vez que alguma figura do BE aparece na TV a dizer que apoia MA, mesmo que repita à exaustão que a candidatura é suprapartidária (como fez hoje João Semedo), está objectivamente a servir os argumentos daqueles sectores e a lançar essa imagem para a sociedade. Não se pode pensar que o apoio do partido “X” é «contra» o apoio do partido “Y”. Seria o mesmo que dizer “queremos a unidade da esquerda, mas desde que ela se baseie nos ‘puros’ princípios que defendemos”!!

É, pois, importante fazer – como MA fez hoje no Porto – um esforço de demarcação em relação a qualquer partido. Neste momento é a excessiva "colagem" do BE que atrapalha. O que, evidentemente, requer que a mesma preocupação esteja presente no caso de, amanhã, ser o PS a pretender apropriar-se da candidatura.

A questão é esta: a candidatura já tem o apoio do BE e ainda bem (de certo modo já a tinha, pelo menos informalmente). Mas precisa agora do apoio do PS. Goste-se ou não se goste de Sócrates e desta direcção do PS, a realidade é esta: sem esse apoio a candidatura de MA jamais terá hipóteses de sair vitoriosa; mas sem esse apoio, é Cavaco Silva e a direita que saem beneficiados.

Publicado em simultâneo no blogue: Boa Sociedade

 

um uivo de Elísio Estanque às 22:48

19 de Janeiro de 2010

Há quinze dias escrevi aqui que a pouco mais de um ano das próximas eleições presidenciais é já possível ter algumas certezas, embora permaneçam no ar outras tantas dúvidas.

 

Quanto às certezas, identifiquei quatro que me parecem relevantes: o actual presidente vai candidatar-se a um segundo mandato; não surgirão, à direita, outros candidatos fortes; haverá, concerteza, temas fortes à direita e o que vai estar em jogo, em 2011, é a definição de modelos concretos de sociedade e de Estado em muitos aspectos antagónicos.

 

Conforme prometi, então, apresento agora outras tantas dúvidas.

 

1. Vai a esquerda ter um único candidato (na 1ª volta)?

 

A resposta seria sim:

 

1.1 Se o PS não estivesse tão fulanizado por razões várias (históricas ou recentes), se não estivesse tão dependente do êxito do Governo (e, em particular, do Primeiro Ministro), se não estivesse tão comprometido com a defesa de interesses específicos do bloco central (que alguns comentaristas de alto gabarito preferem apelidar de "interesses transversais") e se não estivesse, mais uma vez, a gerir "a crise" do capitalismo pedindo novos sacrifícios aos que desde sempre são sacrificados;

 

Em última análise, a resposta à questão depende da posição que Sócrates ( e o seu "petit comité") vier a tomar e do tempo em que essa decisão seja tomada.

 

1.2 Se o PC considerasse mais importante derrotar o (re)candidato da direita logo à 1ª volta do que reafirmar "pela enésima vez" a sua força eleitoral, cada vez mais ameaçada pelos bloquistas e pelos trânsfugas que o abandonam directamente para os partidos de direita ou para a abstenção.

 

2. Vai a esquerda ter um candidato na 2º volta?

 

Se, na área do socratismo ou do soarismo aparecer um candidato para além do único que já se anunciou (Manuel Alegre), e se esse candidato tiver o apoio oficial (ou oficioso) do PS, é bem provável que o (re)candidato da direita ganhe à primeira, possívelmente ainda com mais votos do que os que obteve em 2005. Essa situação será ainda mais provável se o PC, como é habitual, aparecer com um candidato próprio que não desista à boca das urnas.

 

3. Vai o PS (e o Secretário-Geral) apoiar oficialmente a candidatura de Manuel Alegre?

 

Provavelmente sim, porque essa será a única forma de impedir a forte ruptura partidária à esquerda, que se adivinha que pudesse surgir na sequência da aprovação, com um ou com os dois partidos da direita, do Orçamento de Estado de 2010 e de um plano que garanta aprovações de diplomas importantes e do OE de 2011. O apoio a Manuel Alegre aparecerá, nesse contexto, como a tentativa de "prenda" à esquerda em geral, mas em particular à sua própria esquerda. Será a única forma de silenciar ou abafar a forte contestação social que irá surgir na sequência dessa aprovação. Será a única maneira de Sócrates impedir as críticas políticas vindas da base do partido

 

Se o actual presidente for reeleito em 2011, a direita deixa de considerar útil manter o PS no poder e a forma mais eficaz de ter uma maioria, um governo e um presidente, é chumbar o respectivo Orçamento.


18 de Janeiro de 2010

Alegra-te

(...)

"E acima de tudo um cidadão [(Manuel Teixeira Gomes)] que nos deixou uma lição de ética e de sentido estético da vida.

 

Neste ano em que se comemora o Centenário da República, voltamos a precisar desse rigor ético na vida privada e na vida pública.E também de algo que vá para além do discurso cíclico sobre as contas públicas.

 

As pessoas precisam de um horizonte e de uma perspectiva para além dos números e para além dos sacrifícios que lhes pedem no dia a dia. As pessoas precisam de saber porquê e para quê. E sobretudo, para além do direito ao trabalho e do direito ao pão, as pessoas precisam do direito à esperança, do direito ao sonho e do direito à beleza."

Manuel Alegre - Portimão, 2009.01.15

(sublinhados e parêntesis meus)

 

A bucha (há mais vida para além do Orçamento) que Manuel Alegre introduziu no seu discurso tem feito correr muita tinta, principalmente dos que insistem em transformá-la na essência do discurso, isolá-la do contexto em que foi usada e até, acrescentando à bucha a palavra “deficitário”, explicar que sem orçamento não haverá vida.

 

No entanto esquecem que o Presidente da República não tem poderes executivos. Que não lhe compete governar mas sim exigir rigor ético na vida pública e de fazer valer que “para além dos números e dos sacrifícios” exista um “horizonte e uma perspectiva” que conceda aos cidadãos “esperança e direito ao sonho e à beleza”. No entanto esquecem os preceitos constitucionais, que ao Presidente competem fazer cumprir, nomeadamente os consignados no art.º 9º, onde se explica que vida é essa que existe para além do Orçamento.

 

É por haver vida para além do Orçamento que a candidatura de Manuel Alegre incomoda muita gente. Gente que não consegue entender que as candidaturas à Presidência da República têm de ser supra-partidárias para que exista equidistância no exigir do rigor ético e do sentido estético da vida, das despesas, do esbanjamento, da corrupção e da justiça.

um uivo de Luis Novaes Tito às 13:44

Alegra-te


16 de Janeiro de 2010

Presidentes das câmaras municipais de Portimão, Aljezur, Vila do Bispo, e São Brás de Alportel, todos do PS, estiveram no jantar de apoio a Alegre em Portimão. Ver mais aqui.

um uivo de Nuno David às 08:01

"Estou disponível para esse combate" disse Manuel Alegre esta noite em Portimão. Depois de recordar Teixeira Gomes, Presidente e poeta natural de Portimão, Manuel Alegre afirmou que "Portugal vale a pena" e que é preciso "acreditar e agir".

 

Discurso de Manuel Alegre em Portimão aqui.

um uivo de Cães como tu às 03:09

14 de Janeiro de 2010

Como se sabe, as eleições presidenciais de 2006 provocaram o divórcio entre Mário Soares e Manuel Alegre, depois de uma longa história de amizade e companheirismo no seio do PS. Porventura, foi mais do que um divórcio (porque alguns são amigáveis), talvez um litígio insolúvel, que é o que muitas vezes acontece quando as lealdades fortes se quebram, dando lugar a rivalidades irreconciliáveis, com sabor a traição... Desconheço se existem outros motivos de ordem pessoal, mas não duvido – nem eu nem o país inteiro – que foi, primeiro, a ousadia de Alegre e, segundo, o resultado por ele obtido que Mário Soares nunca conseguiu digerir.

 

Há pouco tempo numa entrevista ao jornal “i”, palavras de Soares (depois comentadas por Alegre) pareciam indiciar a possibilidade de uma reaproximação entre ambos. Reproduzo o que disse a esse propósito num post de 9/12/2009: «É altura do PS e de Mário Soares compreenderem o erro que cometeram. A acontecer, isso seria um passo importante para que, como grandes personagens que são, possam estar à altura de saber reconciliar-se. As palavras de cada um na última semana deixam, pelo menos, antever essa possibilidade. E isso, quanto a mim, seria bom. Tanto para o PS como para a democracia deste país».

Pois. Seria bom que assim fosse. Porém, um mês depois, e não obstante a notória ausência de um candidato presidencial credível na área do PS a não ser Manuel Alegre – de resto uma candidatura que, como todos os observadores sublinham, já está no terreno e a suscitar uma impressionante onda de apoios espontâneos –, parece claro que as hostes Soaristas pretendem, uma vez mais, baralhar tudo e todos. Persistem em fabricar um candidato contra Alegre.

Soares, que não se cansa de intervir publicamente – e ainda bem – em defesa de causas da “esquerda”, que mantém Cavaco Silva como um rival político privilegiado, que defende um PS, alianças e políticas mais à esquerda, vem promover e insistir num nome do PS – Jaime Gama – que nem mesmo os segmentos mais de direita parecem acreditar como candidato vencedor.

 “Jaime Gama, sendo fundador do PS tem uma base de apoio no PS que entra na direita também e ...passando à segunda volta, toda a esquerda votaria nele...” – declarou Vitor Ramalho. Diz ainda este incondicional “soarista de serviço” que Manuel Alegre até pode candidatar-se, mas isso não é sinónimo de ganhar eleições. Coisa que, segundo ele, já não se aplicaria ao candidato Jaime Gama...

Por um lado, estas afirmações podem até ser úteis para ajudar a distinguir o trigo do joio. Depois do estrondoso resultado de MA em 2006 (atendendo às condições e a todas as dificuldades que lhe foram criadas), sendo o PS aquilo que é, não foi possível ao partido fazer o que seria natural, que era promover um debate interno que ajudasse a perceber o que tinha acontecido. Que permitisse retirar as necessárias lições do clamoroso erro cometido com o apoio “oficial” a um candidato anacrónico (e claramente perdedor), como foi Mário Soares. Sabendo que as facções permanecem, isto irá contribuir para que os poderes obscuros que manobram no PS possam ser isolados pela vontade dos militantes. Se o forem, mesmo que conjunturalmente, o PS pode ficar melhor e o país ganhará com isso.

Por outro lado, é lamentável que, cinco anos depois, as mesmas forças que impuseram Soares como candidato continuem a persistir no mesmo disparate. O nome de Jaime Gama não é, de modo nenhum, ganhador, e menos ainda contra Cavaco Silva. E se a direcção do PS tem dúvidas haverá métodos democráticos para saber o que pensam os militantes. Portanto, a questão parece ser tão só que Mário Soares e mais alguns nomes encostados à direita ideológica do partido, em desespero de causa – porque não suportam uma candidatura virada para promover a “cidadania plena”, de militantes e não-militantes – querem a todo o custo travar a candidatura de Manuel Alegre e impedir o PS de vir a apoiá-lo. Não vão consegui-lo. O que vão é ficar ainda mais descredibilizados. A democracia em acção está já a desenhar-se, segundo uma dinâmica de movimento, de baixo para cima. E é desse modo que a experiência participativa pode culminar em experiência colectiva emancipatória. E com tudo isto Mário Soares talvez perca a última oportunidade de ter uma retirada feliz da vida pública – uma retirada à altura do seu papel na construção democrática do país.

Publicado simultaneamente no Boa Sociedade


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