06 de Outubro de 2009

No  concelho do Porto, em 27 de Setembro, as eleições legislativas conduziram aos seguintes resultados : PS 36,1%; PSD 30,9% ; CDS 10,7%; BE 10,2%; CDU 7,5%; Abstenção 35,7%. Este quadro permite ainda à candidatura de Elisa Ferreira sonhar com uma vitória nas autárquicas? Nim!!!

 

Não, porque o "efeito de contágio" das legislativas (onde se jogam as grandes lideranças, projectos e políticas nacionais)  sobre as autárquicas, pese embora as "regras do jogo mediático" apontadas por Helena Roseta no seu último post contribuirem para esse contágio, é muito menos relevante do que a continuidade da  "pequena política" local.

Não, porque, no caso do Porto, a gestão da continuidade da "pequena política" local não só marcou a campanha de adversários (PSD/CDS), como contaminou a própria campanha da candidata e alguns dos supostos apoiantes.

Quem, no actual poder municipal, se importa que o Aleixo "venha a baixo", que o mercado do Bolhão fique tão horrível como o "Progresso de Vigo", que o "Rosa Mota" e os jardins sejam privatizados como aconteceu ao Palácio do Freixo, que os "moedinhas" sejam tratados como delinquentes ou que as dívidas do "Air Race" ou do Parque da Cidade sejam galopantes? Quem, no actual executivo, se precupa com a pauperização e dualização social progressivas da cidade?

 

Sim, porque, pela primeira vez, a cidade pode ter um programa de governo local muito discutido e participado pelas pessoas. Pode ter políticas sectoriais coordenadas em torno de prioridades estratégicas. Pode ter prioridades de acção que objectivamente favorecem a vida de cada um e de todos, nas áreas do trabalho e emprego, na educação e na saúde, na habitação como no espaço público.

Sim, porque pela primeira vez, a cidade pode ter uma equipa e um governancia eficazes, atentas e de grande proximidade.

Sim, porque, pela primeira vez, o Porto pode ter uma Presidente de Câmara que se importa com o Aleixo, com o Bolhão, com o Rosa Mota, com os "moedinhas" e com a boa gestão financeira da cidade.

 

O que é que vai fazer a diferença entre o não e o sim no dia 11 de Outubro?

 

 

 

 


28 de Setembro de 2009

Contados os votos, constatamos que:

 

1. A esquerda tem muito mais votos (54,3%) que a direita (39,6%) e, no interior da esquerda, o PS (36,6%) tem mais do dobro da soma dos votos do BE e da CDU (17,4%);

2. O PS ganhou inequivocamente estas eleições mas perdeu muitos votos para a esquerda (quase exclusivamente para o BE e, pouco, para a CDU) mas também perdeu para a direita (sobretudo para o PSD, e alguns poucos para o CDS);

3. Do meio milhão de votos perdidos pelo PS, a larguíssima maioria resultou da transferência directa de votos para o BE.

 

Contados os votos, concluímos que:

 

1. A dinâmica de vitória conseguida pela direita com as europeias foi, por agora, sustida com clareza o que pode levar, no curto prazo, a uma recomposição da sua representação partidária ou, pelo menos, à alteração da correlação de forças dentro de cada um dos seus partidos. Se, do ponto de vista social, as teses da direita dura de Paulo Portas vão "fazer mossa" no interior do PSD, por outro lado, do ponto de vista do capitalismo neoliberal e da gestão da sua crise, os apoiantes de Passos Coelho vão exigir a aplicação imediata da agenda de Belmiro de Azevedo e do Compromisso Portugal.

 

2. O PS vai governar "sózinho". Para já, não tem outro remédio que não seja negociar os apoios parlamentares necessários para fazer passar o programa de governo. Com quem?

Nesta fase, provavelmente com o PSD, assegurando a sua abstenção relativamente a uma moção de rejeição apresentada pelo CDS, pelo BE ou pela CDU. Em alternativa, dependendo da composição do governo, dos "independentes" que o integrarem e da nova leitura que faça do seu programa eleitoral, poderá negociar a abstenção de um dos partidos à sua esquerda (CDU ou BE) e o apoio parlamentar do outro (BE ou CDU) para derrotar uma moção que seja apresentada pela PSD e CDS. A opção por uma destas alternativas significará a opção por um determinado modelo de combate à crise social e económica (desemprego e falências, sobretudo) e por um determinado papel do Estado nesse combate.

 

Contados os votos, o que importa fazer?

 

Impedir a primeira solução e dar força a esta segunda opção, ou seja, conseguir suster a segunda investida da direita na nova A.R. (que pode ser demolidoramente vitoriosa se a esquerda não se entender nalgumas questões de fundo). Como fazê-lo: reforçando com grande "energia" e visibilidade a própria esquerda no interior do PS. Reforçando a intervenção pública (interna e externa) da Corrente de Opinião Socialista, exigindo um governo e um programa politicamente adequados ao combate à crise social,   que faça uma leitura das promessas eleitorais comprometida  com os mais fracos e mais pobres, que se comprometa  e actue no sentido  da defesa dos direitos elementares dos trabalhadores, desde logo o direito ao trabalho, à saúde, à educação, à segurança social (num próximo post abordarei ainda esta questão das opções possíveis e desejáveis) 


Bandeira PortugalPara quem ainda tinha dúvidas fica a constatação. O PS ganhou as eleições. A comprová-lo está o facto do Presidente da República vir a convidar Sócrates para formar o próximo Governo.
 
Para quem ainda tinha dúvidas fica a constatação. O PSD perdeu as eleições. Não só para o PS, como para o CDS/PP. A demagogia da mentira da verdade, o conservadorismo de Ferreira Leite, a intriga, a conspiração, a maledicência, a falsidade e a arrogância foram fortemente penalizados pelos eleitores.
 
Para quem ainda tinha dúvidas fica a constatação. O CDS/PP ganhou o prestígio da direita que há mais de duas décadas não tinha. Derrotou o PSD retirando-lhe uma boa fatia do eleitorado, contribuiu para esvaziar a maioria absoluta ao Partido Socialista e marcou a diferença entre a direita civilizada e a outra que estava convencida que tudo valia para atingir os seus fins.
 
Para quem ainda tinha dúvidas fica a constatação. O BE ganhou o prestígio da extrema-esquerda. Nunca em Portugal, nem sequer no tempo do PREC, a extrema-esquerda tinha conseguido tão bons resultados. Passou o PCP em importância e implementação, contribuiu para retirar a maioria absoluta ao Partido Socialista e demonstrou que o enquistamento do PCP num modelo recusado em todo o Mundo é o corolário das doutrinas retrógradas que os comunistas insistem em considerar como válidas.
 
Para quem ainda tinha dúvidas fica a constatação. O PCP é o grande derrotado da esquerda. Perdeu posições para todos, deixou de ser a referência da esquerda das esquerdas.
 
Para quem ainda tinha dúvidas fica a constatação. A democracia é, continua a ser, o regime de preferência da esmagadora maioria dos portugueses. Derrota os abstencionistas, derrota a extrema-direita, derrota os defensores do não-voto. Confirma que o poder está nas nossas mãos, ainda que seja só no momento das escolhas.
 

Simultaneamente publicado nos: a Barbearia do Senhor Luís (a minha casa); SIMpleX (de quem me despeço já com saudades); Eleições2009/o Público (onde ainda faltam as autárquicas); Cão com tu (onde estarei em força após os períodos eleitorais) e numa outra coisinha que ainda não posso divulgar (mas falta pouco para o fazer).

um uivo de Luis Novaes Tito às 00:38

27 de Setembro de 2009

Logo LegislativasLogo Eleições 2009 

 

 

Para acompanhar os resultados eleitorais na Net a partir das 20:00 horas:

 

http://www.legislativas2009.mj.pt/index.html

um uivo de Luis Novaes Tito às 19:25

25 de Setembro de 2009

Só há pouco descobri que podia ver aqui a RTP-Internacional. Quando olho as notícias da campanha digo para mim mesmo que “ainda bem que estou fora de todo esse espectáculo circence”. Mas, por outro lado, aquela excitação derivada da incerteza sobre como vão votar os portugueses, de não se saber se haverá ou não surpresas, se as sondagens irão confirmar-se ou falhar um vez mais, a curiosidade sobre como vão reagir os protagonistas após os resultados, etc., impele-me a procurar mais informação e a tentar acompanhar os acontecimentos.

Após o trabalho que tenho de cumprir na Universidade (UNESP, Marília), deambulo um pouco pelo centro da cidade e estaciono num bairro moderno, com os melhores cafés, esplanadas, decoração moderna, restaurantes interessantes, etc. Dou por mim a pensar em Portugal.

Quantas promessas, palavras vãs, discursos acirrados, falsos sentimentos de indignação, estarão ocorrendo neste momento? Quantos fait-diverts estarão tendo lugar, manipulados pelos média e pelos adversários para incendiarem a aparente guerrilha que se vai apagar no próximo domingo (ou não)?! Muitos fazem cálculos de curto prazo, outros já pensam no fim de um governo (ou legislatura) que ainda nem começou a ser pensado...

Preocupa-me o que pensam os dirtigentes do Bloco de Esquerda, bem como saber como se vai comportar o nosso José. O eleitorado PS que fugiu para a “esquerda”, tal como bloquistas radicais, “não quer mais o Sócrates” (sic). É verdade. Mas, suponhamos que o BE tem uns 12% de votação, o PS uns 34% (o PSD 28%, etc.), o que irão fazer com esses votos? Poderemos dizer que o povo não quer mais governo Sócrates?... (há muito quem, lá no íntimo, pense que os votos “esclarecidos” têm mais valor do que os votos “ignorantes”...) Será que a força minoritária vai usar esses votos no imediato ou pensa antes em pô-los a render “a prazo”? Vai tentar condicionar as políticas do próximo governo mas mostrar-se aberto à negociação? Vai negociar com exigência mas com concessões ou vai querer ser ela a definir as grandes linhas do governo? Em suma vai abrir-se de facto a uma negociação ou vai fingir que negoceia para se perpectuar melhor no contra-poder?

E Sócrates, como irá posicionar-se? Como será o próximo acto? Será mesmo capaz de recuar em algumas daquelas matérias que, afinal, mais contribuiram para fazer crescer o Bloco e minguar o PS? Será possível agora inverter políticas tão importantes e tão “caras” ao anterior governo como foram a educação e  o trabalho? Em que termos? Estará ele disposto a ouvir de novo os parceiros sociais e os sindicatos? Apostará na estabilidade do governo para que chegue até ao final da legislatura ou irá usar as habituais formas de pressão e chantagem?

É claro que o jogo político nunca é limpo. Não o será de nenhuma das partes. Mas a negociação – a existir alguma –  pressupõe a criação de condições e atitudes de abertura reciproca e que o caminho esteja suficientemente limpo das cascas de banana que serão lançadas das diferentes bancadas.

um uivo de Elísio Estanque às 16:46

23 de Setembro de 2009

 

Na edição do jornal Público da passada 2ª feira (21.09.2009), dois artigos de opinião (de André Freire e de Elisio Estanque, este já vertido para o "cão como tu") e um editorial (de Manuel Carvalho) colocavam a questão do "day after" eleitoral, da governabilidade e do papel da(s) esquerda(s) na solução de governo.

 

Nas últimas linhas do seu seu texto ( "Incertezas para as legislativas") André Freire diz que "Após as eleições, e se se verificar uma maioria de esquerda, veremos se os dirigentes destes partidos estarão ou não à altura das suas responsabilidades". Por seu lado, Elísio Estanque ("A possível maioria de esquerda") refere que "Assim, uma proximação entre o PS e o BE será o requisito mínimo para um governo estável e de esquerda. Para o PS isso ajudaria, e muito, a uma possível reconcialiação da sua actual liderança com aqueles segmentos desiludidos do seu eleitorado que nestas eleições votarão mais à esquerda ou abstêm-se". Por fim, o subtítulo do editorial ("Um novo bloco à esquerda?") avisa que "Se as cúpulas do PS e do BE avançarem para um bloco estável para garantir a governação, terão de torpedear princípios e engolir sapos numa escala nunca vista em Portugal. " (os sublinhados são da minha responsabilidade).

 

Dirigentes, lideranças e cúpulas, parece que têm o poder de decidir o que vai acontecer à esquerda (e, em grande medida, ao País) no dia 28 de Setembro! Mas, será que têm mesmo esse poder? Será que algum desses chefes está mandatado (através de decisões estatutárias tomadas pelos órgãos partidários competentes) para assumir qualquer decisão sobre fórmulas governativas (e a respectiva estabilidade) que extravasem as decisões dos seus últimos congressos ou de outros órgãos próprios? Será que algum deles colocou frontal e directamente essa possibilidade ao seu eleitorado? Será que o não fez por mera táctica ou por reserva mental? Penso que não!

 

O mais provável é que o PS seja o partido mais votado e, por isso, seja chamado a formar governo. O mandato que foi dado aos seus actuais dirigentes, nos órgãos de deliberação máximos, é o de aceitarem essa incumbência através de um governo do PS.  O mais provável é que proponham a formação de um governo "monocolor" mas com aberturas estratégicas à sua esquerda e à sua direita, ou seja, procurando integrar em determinadas pastas figuras "independentes" conotadas mais com este ou com aquele partido, por forma a facilitarem a negociação da passagem do programa de governo na Assembleia da República. Tudo o que for para além disto, nomeadamente a formação de um governo de coligação formal, exigirá que o partido se pronuncie em congresso ou que arranje uma outra forma de se pronunciar (no meu próximo post tentarei analisar as consequências disto).

 

um uivo de Jorge Martins às 11:03

22 de Setembro de 2009

A campanha para as legislativas acabou. Resta saber a quem aproveita o fato.

 

O afastamento de Fernando Lima no auge da campanha não é inócuo. Cavaco Silva, neste momento, e sobretudo na fase inicial do processo, quando deveria ter tido as devidas responsabilidades de Estado para impedir que o assunto das escutas atingisse proporções desmesuradas, deixa adivinhar uma estratégia cujos contornos só o futuro permitirá descortinar, mas que está muito para lá de uma vulgar crise artificial.

 

Se o afastamento de Fernando Lima, num momento convenientemente oportuno, servir apenas para que Cavaco Silva, afinal, já não tenha de falar depois das eleições, isso diz bem mais sobre a invenção de fatos com objetivos inconfessos, mas premeditados, que não podem, de modo algum, ficar sem paternidade.

 

Se o afastamento de Fernando Lima, na sequência dos demais fatos ligados às escutas, serve para controlar os resultados das eleições e o jogo de forças que delas resultar, exactamente  no ponto em que Cavaco Silva gostaria de exercer a sua magistratura, então a situação não é menos grave.

 

Uma coisa é certa. A campanha para as legislativas acabou. Toda a gente quer ouvir Cavaco Silva. Dele, obviamente, se espera que não fique calado.

um uivo de Paulo Peixoto às 02:00

20 de Setembro de 2009

O que está em causa é avisar a malta.

Entre considerar, ou não, a família com o único fim de procriação;
entre considerar o direito ao divórcio, ou não;
entre considerar o direito à Interrupção Voluntária da Gravidez, ou não;
entre considerar o Serviço Nacional de Saúde, ou não;
entre Manuela Ferreira Leite ou José Sócrates;

tal como Manuel Alegre, não tenho dúvidas e sem qualquer hesitação escolho José Sócrates e para o fazer votarei no Partido Socialista.

Isto não são fretes.
São escolhas, as mesmas escolhas que já anteriormente nos fizeram escolher entre ser cidadãos de pleno direito, solidários e democratas ou cidadãos emparedados por ditaduras, burocratas e de regime totalitário.
Nota: Também publicado na Barbearia do Sr. Luís


18 de Setembro de 2009

TijolosHá momentos da vida em que temos de decidir baseados no pragmatismo. O que se vai passar no dia 27, digam o que disserem todos os concorrentes ao Parlamento, é escolher não só os deputados para a Assembleia da República, mas também influenciar decididamente os equilíbrios na formação do próximo Governo.

 

O pragmatismo reside em optar por um Governo de esquerda ou um outro de direita (caracterização para simplificar) e votar de forma a contribuir para que seja impossível ter aquilo que não queremos.

 

No meu caso é fácil. Sou militante socialista, sei que quero um Governo de esquerda moderada e por isso irei votar no Partido Socialista. No caso de outros, por exemplo dos que sendo de esquerda não querem um Governo de maioria absoluta do PS e que pensam ter a oportunidade de protestar nas legislativas dispersando votos ou abstendo-se, convém que estejam atentos, não vá o Diabo tecê-las e Belém cerzi-las.


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