26 de Setembro de 2009

É comum ouvir-se dizer que se toda a gente aprendesse com os seus erros o mundo estaria cheio de génios.

 

Creio mesmo que um dos maiores erros que existe é o de acreditar que as pessoas aprendem sempre com os erros que cometem, dando por certo, com muito boa vontade e algum irrealismo, que o seu carácter obstinado e implicado não as leva a confundir clarividência com teimosia, êxito com fraude, lealdade com sectarismo, amor com dominação, coragem com estupidez.

 

Para se aprender com os erros é preciso, em primeiro lugar, vontade e coragem.

O erro e a predisposição para o erro não deixam de ser um luxo de quem está numa posição privilegiada e de certa impunidade. Erra mais quem pode mais (excluo, obviamente, os néscios). Quem tem dependências e responsabilidade partilhadas vê-se mais facilmente obrigado a não errar, a emendar a mão e a aprender com os erros que pratica.

 

Recorrentemente, chamamos erro a uma opção que não seria a nossa mas que, aos olhos de quem a toma, e de muitos outros, é tão legítima quanto  a nossa. É, por isso, um erro grosseiro admitir que os outros reconhecem ou têm de reconhecer as suas convicções e condutas como sendo erradas. A bondade humana que nos leva a acreditar que os outros reconhecerão "o seu erro" mais não é que uma forma de racionalizar e de naturalizar uma situação que nos incomoda, sobretudo devido ao grau de proximidade e de afectividade por quem erra. Assim, acreditamos tanto mais que os outros são capazes de corrigir a sua conduta por via do reconhecimento do erro quanto mais eles nos são próximos. Se nos forem distantes e estranhos a tendência será para a diabolização e para a consolidação da convicção que "nunca aprenderão com os seus erros".

 

Um erro sufragado é uma porta aberta para a prepotência e para a teimosia. É isso que explica, salvaguardando as proporções, os contextos e o carácter metafórico, que muitas situações de dominação social e de violência, que, inexplicavelmente, se perpetuam, sejam toleradas e justificadas pelas suas vítimas com base na crença que uma certa afinidade com o outro, com aquele que erra, o levará a deixar de cometer erros grosseiros.

 

Errar é humano. Seguir uma vida de erro é humano. E acreditar que os outros um dia hão-de mudar é um erro muito humano. Posso, até, estar errado, mas mudar os erros dos outros será sempre mais eficaz se não ficarmos à espera que eles o façam sem que nós façamos algo de relevante.

um uivo de Paulo Peixoto às 01:36

Outeiro:
Este post é profundamente conservador, para não dizer reaccionário, do ponto de vista da psicologia do desenvolvimento.
Então não sabe que o ser humano aprende por tentativas e erros?

Negar isso, negar a possibilidade de aprender, mesmo em política, é desconhecimento, sectarismo ou má fé!

Ter opiniões divergentes e poder expô-las livremente, é democracia!

Cumprimentos

Outeiro

26 de Setembro de 2009 às 09:21

Carlos T:
Oh Outeiro:

"Ter opiniões divergentes e poder expô-las livremente, é democracia!"

E em que é que o post contraria isso? Está a ler coisas que não estão lá a meu ver.

O que está lá é precisamente que as pessoas aprendem com os erros, mas que não se deve confiar nisso só porque alguem disse que isso vai acontecer. Deve-se antes confiar nisso quando há evidências de que isso efectivamente aconteceu.

Reflicta...

Em politica quem erra não merece segunda oportunidade. Até porque, muito provavelmente, iriam persistir no erro.
26 de Setembro de 2009 às 15:08

outeiro:
Pois é!

Errar é humano!
Não li com a devida atenção o texto.
Reconhecer um erro é meio caminho andado para o corrigir.

Não volto a comentar sem ler duas ou três vezes os textos.

As minhas desculpas ao autor.

Cumprimentos,

Outeiro

27 de Setembro de 2009 às 08:51

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