25 de Setembro de 2009

No domingo voto Bloco de Esquerda.

 

O voto flutuante, chamado frequentemente de útil por contribuir para ganhar uma eleição através da concentração dos votos, oscila, a pouco mais de 48 horas da abertura das urnas, entre votar PS ou votar BE.

 

Não estamos, na minha perspectiva, perante um cenário de polarização das eleições entre PS e PSD que obrigue a que o voto útil se faça pela negativa. Em rigor, à esquerda, não estamos a ser confrontados com a necessidade de votar PS para impedir que o PSD ganhe. Não estamos prisioneiros do "mal menor". E se esse cenário de polarização foi insinuado, ou se ameaçou concretizar-se, serviu, definitivamente, para que o PS descolasse nas sondagens para muito perto da maioria absoluta.

 

Tão má quanto a perspectiva da polarização seria a repetição de uma maioria absoluta de José Sócrates, garantida com votos de cidadãos descontentes com o actual PS, levados a exercer o seu direito pela negativa, apenas para evitar um governo de direita. Ironicamente, essa eventualidade seria interpretada como uma aclamação das políticas do actual Governo. Considero, por isso, que o voto mais útil é aquele que obrigar o PS - putativo vencedor das eleições - a governar à esquerda. Por isso mesmo, vejo a minha escolha como inequívoca.

 

Quanto mais o PS se aproximar da maioria absoluta, se é que não chega lá, maior será a tentação em repetir o modelo de governação da legislatura que agora chega ao fim. Por outro lado, não estou certo que, para efeitos de composição de uma maioria absoluta parlamentar, o PS de José Sócrates não se entenda melhor com o CDS-PP de Paulo Portas que com os partidos à sua esquerda. Seria até menos custoso face à desconfiança do PS em relação aos partidos à sua esquerda  e ao esforço que teria de fazer para se tornar um partido de confiança dos partidos à sua esquerda. Essa tentação de fuga à esquerda poderá ser tanto maior quanto a CDU  e sobretudo o BE não chegarem aos dois dígitos.

 

É preciso, assim, um voto útil que permita a emergência e a consolidação de alternativas de esquerda. Nestas eleições, neste momento, o que está em causa é menos a vitória do PS e mais a necessidade em garantir uma real vitória da esquerda que faça regressar o PS à sua matriz identitária. José Sócrates e o actual PS já deram sinais claros que se não os forem buscar eles não vêm por sua iniciativa.

um uivo de Paulo Peixoto às 02:03

Carlos:
Concordo plenamente. A única diferença é que vou votar CDU! E até digo mais, mal não faria que o PS pouco ficasse à frente do PSD, cercado à esquerda e à direita, mas com maioria de esquerda no parlamento. Tenha o PS de Sócrates um resultado perto dos 40%, e vai fazer exactamente a mesma coisa que fez na anterior legislatura. Qual a lógica? Que útil que quê!!!!
25 de Setembro de 2009 às 03:57

Não poderia estar mais de acordo com o que aqui nos diz. É também por isso que pela primeira vez não voto PS em legislativas.
Vou votar BE.
25 de Setembro de 2009 às 04:51

Votarei no Partido Socialista porque, primeiro e é disso que se trata, iremos eleger deputados propostos pelos Partidos.
Não me assusta uma maioria absoluta do PS, nem tão pouco um novo governo de Sócrates. Sócrates terá defeitos que tanto podem confirmar-se como tal ou transformarem-se em virtudes (ex. é teimoso - a avaliação dos professores / lutar por um Estado que garanta as prestações sociais devidas aos mais necessitados).
Enganam-se os que pensam que Sócrates é burro. Não! Sócrates aprendeu muito com os erros cometidos, Sócrates saberá tirar as suas conclusões dos difíceis (não esquecer!) quatro anos de governação.
Votar BE? São votos deitados ao vento. Conheçam aquela realidade mais de perto e tomarão consciência do vazio!
25 de Setembro de 2009 às 11:43

Carlos:
Este é um argumento esquisito, pessoalizado, o de que "Sócrates aprendeu". Que evidências tem para dizer isto (partilha o quarto com ele)? Bem pelo contrário, as evidências são todas contrárias! É teimoso, tem um passado e casos dúbios, fala como um robot, não cedeu em absolutamente nada na última legislatura, governou à direita mais do que há esquerda, não integrou membros da corrente de opinião socialista de Alegre nas listas ao parlamento (e tão pouco de outras corrrentes, como a de Fonseca Ferrreira). É bizarro pensar que depois disto este homem "aprendeu"! aprendeu o quê? Nem me parece que o homem tenha profundidade para aprender este tipo de coisas. É inteligente do ponto de vista político, sim senhor, mas no que a palavra "política" tem de pior. Costumo votar PS, simpatizo com o PS, mas só votaria no PS nestas eleições se não estivesse lá o Sócrates!

Carlos
O meu argumento, certamente, é válido para quem votar à esquerda do PS, quer entenda fazê-lo na CDU, quer tenha a mesma atitude da Carminda (que também é a minha). Um voto útil para ter um partido de esquerda a governar à direita é completamente inútil e contraproducente. Isso faz-me mais medo que ter um partido de direita a governar à direita.
Já agora, o seu outro comentário inspira-me uma reflexão genérica para um post de reflexão que está para lá desta questão concreta do PS e do José Sócrates.
José
Os "votos deitados ao vento" fazem lembrar-me a "Trova do vento que passa"
É que também eu, nos últimos tempos,
Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
(...)
E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.
26 de Setembro de 2009 às 03:27

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