17 de Maio de 2010

Artigo de Manuel Alegre no Diário de Notícias de 16 Maio

 

O novo pacote de medidas de austeridade deve ser analisado segundo três grandes dimensões:

1. A dimensão financeira global
A crise financeira mundial foi fruto da desregulação dos mercados. Não é possível resolvê-la repetindo as mesmas receitas. É urgente um novo paradigma e uma nova regulação financeira global que, entre outras coisas, ponha termo à desvergonha especulativa, ao poder excessivo das agências de notação de dívida e à criação de produtos tóxicos. É o que defende, por exemplo, Paul Krugman, que alerta também para o facto de a ideologia conservadora que justificou a desregulação continuar a resistir a qualquer mudança. Se não houver reformas, é inevitável um novo desvario financeiro e o recrudescimento do processo que provocou a crise actual. Com consequências porventura muito mais graves. E com o risco de colapso do sistema actual sem a existência de um modelo alternativo. Uma espécie de queda do Muro de Berlim ao contrário. Sem nada de um lado e do outro.

2. A dimensão europeia
Durante a recente crise, a UE primou pela falta de comparência. A esta não existência juntou-se a passividade do Banco Central Europeu. Ou cumplicidade, com o financiamento dos fundos especulativos a juros baixos pelo próprio BCE, através de emissões de moeda para a banca comercial tendo como garantia as próprias dívidas dos Estados. Só pela pressão do ataque especulativo é que a UE resolveu agir. Criou o Fundo de Estabilidade Financeira e fez uma espécie de ultimato a vários Estados, entre eles Espanha e Portugal. Outros mecanismos, como o reforço da supervisão e a criação da agência de rating europeia estavam previstos desde 2008. Mas ficaram no papel. Como declarou Jacques Delors, a Europa não pode ser apenas um projecto de moeda única, tem de ser um projecto económico e social, que assegure o crescimento, o emprego e a coesão.

3. A dimensão imediata e nacional
A situação portuguesa é complicada, devido à dívida externa (sobretudo privada) e às fracas expectativas de crescimento. As medidas agora aprovadas como resposta à exigência do acordo europeu para garantir a estabilidade do euro e enfrentar os ataques especulativos destinam-se a dar maior credibilidade ao País para o exterior. Trata-se de diminuir o défice e a dívida para preservar a soberania e recuperar maior autonomia de decisão. É necessário que sejam explicadas com clareza, verdade e rigor. Sem pedidos de desculpas nem evasivas. E é sobretudo necessário que sejam enquadradas numa visão estratégica para o futuro, com garantias de que são transitórias e serão completadas por outras que tenham em conta a economia e abram perspectivas ao crescimento e ao emprego. Segundo alguns economistas, poder-se-ia talvez, como acentuou o Dr. António Carlos Santos, ter dado, do lado da despesa, mais atenção ao desperdício, nomeadamente em institutos e empresas municipais que não se justificam. Do lado da receita, deve reconhecer-se que houve um esforço na repartição da carga fiscal. Há quem sugira que podia manter-se a taxa reduzida do IVA (expurgando produtos que estão a mais nesta lista) e também garantir a intangibilidade do mínimo de existência no IRS. Recorde-se que Obama criou um imposto sobre a banca e que, em Espanha, ao contrário de Portugal, a banca paga um imposto superior à generalidade das empresas.

Ninguém gosta de medidas que vão penalizar os portugueses como o imposto sobre o trabalho e sobre o consumo e a redução de algumas prestações sociais como o subsídio de desemprego. O problema está em saber se havia alternativa. Não sou pessoa para se esconder e fugir às suas responsabilidades. É minha obrigação política reconhecer que esta é uma hora de dar a cara e enfrentar sem subterfúgios a dura realidade. Desejo, obviamente, um alargamento do diálogo, quer no plano parlamentar quer no plano social. Parece-me igualmente necessário que o plano para as finanças públicas seja acompanhado por um plano para a economia, tendo em vista o crescimento e o emprego.

Finalmente: como afirmou o prof. José Reis a um jornal brasileiro – "Só quando as economias industrializadas refundarem o seu modelo social e político e a UE se reinventar através de novas formas de economia mista, em que Estado, mercado e sociedade encontrem uma nova relação, assente no emprego e no bem-estar, será razoável pensar na superação da crise."

Portugal sozinho não pode mudar o mundo. Mas pode pensá-lo e pensar-se numa outra perspectiva, para que não se entre num novo ciclo de austeridade, recessão, mais austeridade, mais recessão e mais desemprego. Os políticos têm de ter a coragem de assumir e partilhar as horas e medidas difíceis. Mas também o talento para inventar novas soluções e abrir novos horizontes.

Manuel Alegre

um uivo de Cães como tu às 10:00

António:
Fernando Nobre é de todo, a melhor opção!
1 de Junho de 2010 às 18:35

Joana:
Pois, deve votar onde quiser. Eu cá escolho opções substantivas, de alguem que quer e pode ser Presidente, e o fará com responsabilidade. Alguem cujo objectivo é ser um Presidente de mais alcance, e que quer derrotar Cavaco Silva. Não voto em candidatos que só se candidatam porque querem ficar à frente de Alegre. Não voto em Cavaco nem em candidatos cujo objectivo não é ganhar mas ficar em segundo. Voto Alegre.

Bernardo Dias:
Eu voto em candidatos úteis. Voto Manuel Alegre, porque quero que o meu voto sirva para alguma coisa. E porque Manuel Alegre tem excelentes condições para ser um excelente Presidente de República. Força Manuel Alegre!
2 de Junho de 2010 às 04:05

anónimo:

http://matosinhosapoiamanuelalegre.blogspot.com/ (http://matosinhosapoiamanuelalegre.blogspot.com/)
8 de Junho de 2010 às 10:46

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS


    Começa a estar em cima da mesa o tema das eleições presidenciais.


 


   Os candidatos já assumidos oficialmente, Manuel Alegre e Fernando Nobre, e aquele que se prevê venha a recandidatar-se, Cavaco Silva, são pessoas com quem podemos não concordar em termos de projecto político, mas estão acima de qualquer suspeita, ao contrário de outros, e vão certamente cumprir e fazer cumprir de forma escrupulosa com o que a lei estipula acerca dos gastos com as suas campanhas eleitorais.


 


   Porém tendo em atenção os desmandos praticados pela generalidade dos partidos políticos nas últimas eleições autárquicas com gastos na ordem dos 80 milhões de Euros, a fase crítica que o País atravessa, e ainda porque a Presidência da Republica, deve ser o exemplo da moralidade em todas  as circunstancias, todos os candidatos deveriam anunciar  previamente quanto vão gastar na sua campanha eleitoral comprometendo-se simultaneamente a não ultrapassar em nenhuma circunstância o valor anunciado, qualquer que seja o motivo, e porque forma seja, directa ou indirecta.


 


   Tal anuncio reforçaria de forma notável a sua capacidade de exigência futura em relação aos partidos políticos, e seria altamente moralizadora.


 


   Vamos todos fazer essa exigência ? É um pequeno gesto que não custa nada e vale muito.


 


   Para bem de Portugal.


 


http://lanzas.blogs.sapo.pt




18 de Junho de 2010 às 08:56

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