30 de Dezembro de 2009

O regime semi-presidencialista que temos permite as mais diversas possibilidades quanto ao protagonismo do órgão presidencial. Tudo pode acontecer e um pouco de tudo já tivemos desde 1976. Desde um primeiro Presidente (eleito)  de vocação militarista e com ambição interventiva ao Presidente apagado e ambíguo que hoje temos, passando por presidentes civilistas e com apetência para se imiscuírem na governação... Enfim, o papel do Presidente possui sem dúvida um profundo alcance politico e é, inquestionavelmente, um potencial pivot da mudança sociopolítica que nos lance na senda do desenvolvimento.


Manuel Alegre não tem perfil para ser uma mera figura decorativa... Pelo contrario, acredito que poderá vir a ser um excelente PR, desde que a sociedade portuguesa se mostre preparada para enfrentar esse desafio. MA pode vir a ser a figura galvanizadora do pais, num momento em que a depressão colectiva, a descrença e o pessimismo parecem atingir os níveis mais graves desde os tempos de Salazar. E Manuel Alegre coloca-se como a única personalidade cujo potencial de optimismo e de esperança é capaz de projectar o melhor de Portugal como desígnio colectivo que nos arranque da espiral de mediocridade em que mergulhamos, e que nos tem impedido de nos afirmarmos como país no espaço europeu e mundial. A nossa história já mostrou que temos competências, inteligência, criatividade, capacidade de fazer e de andar para a frente. Existem potencialidades riquíssimas na sociedade portuguesa, que só não se mostram porque lhes falta a mola aglutinadora que nos agarre e mobilize em torno do que temos de bom, que acabe de vez com as lamúrias, a descrença e o saudosismo que nos aprisionam.

Não se espera, certamente, qualquer tipo de neo-presidencialismo providencial, de que já tivemos suficiente experiência durante a tutela autoritária do salazarismo. Mas concerteza que a mensagem e a atitude de um Presidente podem instigar o lado melhor do que existe neste país. Sendo MA um homem com a formação humana, o perfil literário e a sensibilidade poética que se lhe reconhecem, tais atributos colocam-no numa posição privilegiada  como potencial símbolo do Portugal moderno e desenvolvido do século XXI. Enfrentar o nosso futuro colectivo sem receio de assumir a nossa história, ou reivindicar a emancipação e a justiça social sem receio de invocar a palavra Pátria são exigências que com MA na Presidência se tornarão mais viáveis.

MA é um patriota, mas não um moralista ou paternalista. Como homem de esquerda, será capaz de mobilizar (finalmente) essa efectiva maioria sociológica (que tem perdido demasiado tempo com as suas questiúnculas e divisões internas). O projecto está em marcha e poderá ganhar suporte nos próximos meses. Há sectores adormecidos e descrentes da esquerda que podem acordar de novo. Só com uma sociedade civil activa, que se mobilize outra vez em torno dos valores da esquerda, esse projecto poderá significar algo mais do que uma simples campanha presidencial. Para que a candidatura de MA tenha sentido precisamos de afirmar de novo a vontade popular dos cidadãos livres, dos movimentos cívicos e autónomos, dos partidos de esquerda (de todos eles, com todos os defeitos que tem), num novo caudal de utopia que empurre este pais para a frente.

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um uivo de Elísio Estanque às 19:58


Manuel Alegre, é a esperança de muitos portugueses desencantados.
30 de Dezembro de 2009 às 23:45

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